Resposta direta
A lente intraocular usada na cirurgia de catarata deve ser escolhida de forma individual. Visão noturna, halos, brilho, retina, córnea, grau, rotina e expectativa visual são pontos que podem influenciar a conversa antes da cirurgia.
Por que falar de visão noturna antes da cirurgia de catarata?
A catarata deixa a lente natural do olho mais opaca. Com isso, algumas pessoas percebem piora de contraste, redução de nitidez e maior incômodo com luzes, especialmente à noite.
Faróis, postes e telas podem parecer mais “espalhados”. Algumas pessoas descrevem isso como brilho, reflexo, halos ou glare.
Esses sintomas não significam, sozinhos, que uma pessoa precisa de uma lente específica. Eles são um ponto de conversa para a consulta oftalmológica.
O que são halos e glare?
Halos são círculos ou arcos percebidos ao redor de fontes de luz, como faróis ou postes.
Glare é uma sensação de brilho incômodo, ofuscamento ou luz espalhada que atrapalha a visão em determinadas situações.
Na prática, o paciente pode relatar frases como:
- “os faróis ficam com uma aura”;
- “a luz parece estourada”;
- “dirigir à noite ficou mais desconfortável”;
- “perco contraste em ambientes escuros”.
Essas queixas podem ter causas diferentes. Por isso, a avaliação presencial continua sendo essencial.
O que a lente intraocular tem a ver com isso?
Na cirurgia de catarata, a lente natural opaca é removida e substituída por uma lente intraocular.
Existem diferentes tipos de lentes intraoculares, com objetivos e características distintas. Algumas priorizam um foco principal. Outras buscam ampliar a faixa de visão para perto, intermediário e longe.
Nem toda lente conversa igual com a visão noturna
A visão noturna é um ponto importante na escolha da lente intraocular, especialmente para quem dirige muito à noite ou se incomoda com brilho e halos.
A American Academy of Ophthalmology orienta que, quando dirigir à noite é uma prioridade, efeitos como glare, halos ao redor das luzes ou perda de contraste devem entrar na conversa sobre alguns tipos de lentes intraoculares, como multifocais e EDOF.
Isso não quer dizer que uma lente seja “boa” ou “ruim” de forma absoluta. Quer dizer que a escolha precisa considerar o perfil do olho e a rotina da pessoa.
Disfotopsias: por que esse termo aparece nessa conversa?
Depois da cirurgia de catarata, algumas pessoas podem perceber fenômenos visuais indesejados. Na literatura médica, eles podem ser chamados de disfotopsias.
Uma revisão publicada na revista Life descreve que disfotopsias positivas podem aparecer como glare, raios de luz, starbursts, arcos, anéis, halos ou flashes. A revisão também cita que até 67% dos pacientes podem apresentar disfotopsia positiva logo após a cirurgia, enquanto sintomas persistentes em até um ano são relatados em cerca de 2,2% dos casos.
Esses números ajudam a contextualizar: alguns relatos podem ocorrer no início, mas persistência é menos comum. Ainda assim, o assunto deve ser abordado com clareza antes da cirurgia.
O que entra na escolha da lente intraocular?
A escolha da lente intraocular é individual. Ela pode considerar:
- exame oftalmológico completo;
- avaliação da retina;
- avaliação da córnea;
- grau e astigmatismo;
- presença de outras doenças oculares;
- hábito de dirigir à noite;
- uso de computador e telas;
- leitura de perto;
- expectativa para visão de perto, intermediária e longe.
Copiar a lente de outra pessoa pode não fazer sentido, porque olhos e rotinas são diferentes.
Perguntas úteis para levar à consulta
Antes da cirurgia de catarata, algumas perguntas podem ajudar:
- Eu dirijo muito à noite?
- Tenho incômodo com faróis, brilho ou halos?
- Quero priorizar longe, perto ou intermediário?
- Minha retina interfere na escolha da lente?
- Minha córnea ou meu grau mudam a indicação?
- O que é uma expectativa realista para o meu caso?
- Quais trocas podem existir entre alcance de foco e sintomas visuais?
Essas perguntas ajudam a transformar a consulta em uma conversa mais objetiva.
Em resumo
Lente intraocular não é uma escolha universal.
A decisão deve considerar o exame, a anatomia do olho, a rotina visual e a expectativa da pessoa. Para quem dirige à noite ou se incomoda com halos e glare, esse tema merece entrar na conversa antes da cirurgia.
Na OlharPar, a avaliação é individual e orientada por contexto clínico, exames e diálogo sobre a rotina visual.
Perguntas frequentes sobre lente intraocular e visão noturna
Halos à noite podem ter relação com catarata?
Podem. A catarata pode reduzir contraste e alterar a forma como a luz é percebida. Mas halos também podem ter outras causas, por isso precisam ser avaliados em consulta.
A lente intraocular pode influenciar halos ou glare?
Pode influenciar em alguns casos. O desenho da lente, o perfil do olho e a rotina visual da pessoa entram na conversa sobre benefícios e possíveis trocas.
Quem dirige à noite deve avisar isso antes da cirurgia?
Sim. Direção noturna é uma informação importante para discutir expectativa visual e escolha da lente intraocular.
Existe uma lente intraocular melhor para todo mundo?
Não. A escolha é individual e depende de exame, retina, córnea, grau, rotina e expectativa visual.
Halos depois da cirurgia sempre são permanentes?
Não necessariamente. Revisões médicas descrevem que fenômenos visuais podem ser comuns no início, mas sintomas persistentes são menos frequentes. A orientação deve ser individualizada.
Referências
- Pusnik A, et al. Dysphotopsias or Unwanted Visual Phenomena after Cataract Surgery. PubMed / Life. pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36676002
- American Academy of Ophthalmology. Factors to Consider in Choosing an IOL for Cataract Surgery. aao.org
- MedlinePlus. Cataract - close-up of the eye. medlineplus.gov
Nota médica: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação oftalmológica individual. Sintomas, indicação cirúrgica e escolha da lente intraocular devem ser discutidos em consulta.