Resposta curta: a lente premium na cirurgia de catarata deve ser escolhida de forma individual. Antes da decisão, é importante avaliar direção noturna, halos, uso de telas, saúde da retina, córnea, lágrima e a possibilidade de ainda usar óculos em algumas situações.
A cirurgia de catarata não envolve apenas retirar o cristalino opacificado. Em muitos casos, ela também abre uma conversa importante: qual lente intraocular combina melhor com o olho e com a rotina daquela pessoa?
É comum o paciente ouvir falar em lente premium, lente multifocal, trifocal, EDOF, monofocal ou tórica. Esses nomes podem gerar a impressão de que existe uma opção universalmente superior. Na prática, a escolha costuma ser mais individual.
Uma lente pode funcionar muito bem para um perfil de paciente e não ser a opção mais confortável para outro. Por isso, antes de decidir, algumas perguntas precisam entrar na consulta.
1. Você dirige muito à noite?
Halos e brilhos ao redor das luzes podem acontecer após a cirurgia de catarata, especialmente em algumas lentes que dividem a luz para entregar mais de um foco de visão.
Para quem dirige muito à noite, trabalha em estrada, sente incômodo com faróis ou já percebe muita sensibilidade à luz, essa conversa é importante. Isso não significa que lentes multifocais sejam proibidas para todos esses pacientes. Significa que o risco de incômodo visual precisa ser discutido com clareza.
2. Você usa muito computador ou celular?
A rotina visual importa. Algumas pessoas passam mais tempo lendo no celular. Outras usam computador por muitas horas. Outras priorizam dirigir, caminhar na rua, assistir televisão ou reconhecer rostos à distância.
As lentes intraoculares podem favorecer faixas diferentes de visão: longe, intermediário ou perto. Por isso, a escolha deve considerar o que o paciente realmente faz no dia a dia, não apenas o desejo genérico de “não usar óculos”.
3. Sua retina e sua mácula estão saudáveis?
A qualidade da visão depois da cirurgia de catarata não depende apenas da lente. A retina, especialmente a mácula, precisa ser avaliada.
Doenças como degeneração macular, membrana epirretiniana, edema macular, alterações diabéticas ou outras doenças da retina podem reduzir a qualidade visual final. Em olhos com alterações maculares ou retinianas relevantes, uma lente que exige maior qualidade óptica e adaptação pode não entregar a experiência esperada.
4. Sua córnea e sua lágrima estão boas?
A superfície ocular também influencia muito a nitidez. Olho seco, irregularidades da córnea, ceratocone, cicatrizes, alterações após cirurgia refrativa e astigmatismo precisam ser avaliados antes da escolha da lente.
Quando a lágrima está instável ou a córnea é irregular, sintomas como glare, halos, flutuação visual e baixa nitidez podem ficar mais evidentes.
5. Você aceita usar óculos em algumas situações?
Essa pergunta é simples, mas muda muito a decisão. Algumas lentes buscam reduzir a dependência dos óculos para mais distâncias. Outras priorizam qualidade, contraste e estabilidade visual, mesmo que o paciente use óculos para perto ou para tarefas específicas.
Para alguns perfis, aceitar óculos em determinadas situações pode permitir uma escolha mais estável e confortável. Para outros, reduzir ao máximo a dependência dos óculos pode ser uma prioridade real. O ponto é alinhar expectativa e possibilidade.
A pergunta central
A pergunta não deve ser apenas: “qual lente parece mais moderna?”.
Qual lente combina com meu olho, com meus exames e com minha vida?
A resposta depende da avaliação oftalmológica, dos exames pré-operatórios, da rotina do paciente e de uma conversa franca sobre benefícios, limitações e expectativas.
Quando conversar com o oftalmologista?
Vale levar essas perguntas para a consulta antes da cirurgia de catarata, especialmente se você:
- dirige muito à noite;
- tem incômodo com faróis ou luzes;
- usa computador ou celular por muitas horas;
- tem doença de retina ou diabetes;
- já teve diagnóstico de olho seco;
- tem astigmatismo, ceratocone ou cirurgia refrativa prévia;
- quer reduzir o uso de óculos, mas não sabe quais limitações aceitar.
Na OlharPar, no Recreio, Barra da Tijuca e Tijuca, a escolha da lente é discutida a partir do exame completo e da rotina de cada paciente.
Perguntas frequentes
Toda lente premium elimina a necessidade de óculos?
Não. Algumas lentes podem reduzir a dependência dos óculos em determinadas distâncias, mas não se deve prometer independência total. O resultado depende do olho, da lente escolhida, da cirurgia, da adaptação e das tarefas do dia a dia.
Lente multifocal sempre causa halos?
Não necessariamente. Algumas pessoas se adaptam bem. Outras percebem halos, glare ou incômodo com luzes, principalmente à noite. Esse risco deve ser conversado antes da cirurgia.
Quem tem problema de retina pode colocar lente multifocal?
Depende do tipo e da gravidade da alteração. Doenças da mácula ou da retina podem influenciar a qualidade visual final. A decisão deve ser individualizada após avaliação oftalmológica.
Olho seco interfere na escolha da lente?
Pode interferir. A lágrima instável e alterações da superfície ocular podem piorar flutuação visual, glare e nitidez. Em muitos casos, é importante tratar a superfície ocular antes da cirurgia.
Lente monofocal é uma escolha inferior?
Não. Para alguns pacientes, uma lente monofocal ou uma estratégia mais simples pode oferecer visão mais estável e confortável. A escolha depende do perfil visual e dos exames.
Referências
- American Academy of Ophthalmology. How can I reduce halo and glare after cataract surgery? AAO
- American Academy of Ophthalmology / EyeNet. When to Use Multifocal Intraocular Lenses. AAO EyeNet
- European Society of Cataract and Refractive Surgeons. ESCRS Recommendations for Cataract Surgery. ESCRS
- ESCRS / EuroTimes. Source of Complaints Often Elusive for Multifocal IOLs. ESCRS EuroTimes